
Basta sapecar um condicional “se” e verás toda uma legião de historiadores fazendo beicinho. Terás beicinhos em escala industrial. Por exemplo: E “se” os persas derrotassem os gregos na célebre batalha de Salamina? Ora, não haveria democracia, nem filosofia e, conseqüentemente, a civilização ocidental não teria existido. Simples assim. Mas não pretendo entrar no interminável debate sobre “o se na História”.
Estava, dia desses, lendo sobre a batalha de Viena de 1683. Por duas vezes na história o Império Turco-Otomano sitiou Viena. Após avançar sobre todo o Bálcãs, em 1529, as tropas de Solimão cercaram Viena e, depois de sucessivas derrotas, o exército otomano decidiu recuar. O segundo cerco ocorreu em 1683, durando dois meses. No entanto, uma aliança das forças polaco-austro-alemãs lideradas pelo Rei da Polônia Jan III Sobieski derrotou, por muito pouco, o exército do Grão-vizir Mustafa Pasha.
Pensei comigo mesmo: João Sebastião nasceu três anos após a vitória “aliada” sobre os otomanos, logo ali, cerquita, nas florestas geladas da Turingia germânica. “E se” (beicinhos dos historiadores!) o Grão-vizir Mustafa Pasha vencesse a batalha de Viena? Varias são hipóteses:
Bach comporia uma fuga a quatro vozes denominada “Allah, o Generosíssimo”;
Ao invés da Missa em Bm, ele escreveria o oratório “O Profeta”, para ser cantado nas mesquitas em toda a Alemanha.
Trocaria o órgão pelo mouríssimo alaúde;
Ao invés de “O cravo bem temperado” ele comporia “A kafta bem temperada”
Ao invés de Mestre de Capela em Leipzig, ele animaria a corte do Sultão em Istambul compondo temas populares como “Variações para Fatima”e “A Fuga de Salim”;
Ao invés da Paixão Segundo São Mateus, ele escreveria a “Jihad segundo o Alcorão”;
Comporia “Mohamad alegria dos fiéis”ao invés de “Jesus alegria dos Homens”;
Querido David!
ResponderExcluirSensacionais suas divagações!
Eu sempre digo que o "se" é uma palavra imbecil e sem utilidade pois refere-se ao passado, portanto sem a opção de se modificar o curso da história.
Mas como aqui estamos divagando sobre possíveis mudanças no curso da História da Música tudo vale!!
Não consigo pensar sob a ótica do "João Sebastião" por não ser dele assim tão íntima,(diferentemente de você meu caro David!) mas baseada no que dele conheço posso afirmar que poderíamos ter uma conciliação (e já que no terreno da mente tudo é possível) entre vertentes diversas e Bach comporia “Allah, o Generosíssimo” para ser cantado nas mesquitas, igrejas e templos evangélicos e continuaria com o órgão e com o cravo bem temperado fazendo da música um elo entre a Capela em Leipzig e a corte do Sultão em Istambul transformando o Portal de Constatinopla num reduto de temas populares como “Variações para Fatima”e “A Fuga de Salim”.
Esse "se" transformaria BACH no Messias do crioulo-doido!(aquele do samba...)
E (aqui não existe "Se") mesmo que compusesse um samba seria belíssimo...
Beijos!!!
Olá, Zuleid. Agradeço os comentários. Uma honra saber que tem prestigiado os meus posts.
ResponderExcluirAcho essa discussão sobre o 'se' bem interessante, sabe? Embora se referindo ao passado e não dando possibilidade de modificar o futuro, o 'se' valoriza os acontecimentos no curso da história. Assim foi, neste caso, com a Batalha de Salamina e a de Viena. Por uma grande coincidência, hoje, almoçando na casa do meu orientador, notei que ele comprou em Portugal uma edição do livro "história virtual" do grande historiador Niall Ferguson. O livro se dedica apenas à discussão do 'se na história' (Um dos capítulos, por exemplo, é 'e se os EUA não fossem colonizados pelos britânicos").
Quanto às associações da tradição islâmica com os procedimentos racionais da música de João Sebastião, também não acho um absurdo que a conciliação poderia ter gerado bons resultados. Não foi o Avicena que, na época do Califado, se utilizou da tradição filosófica de Aristóteles para estruturar sua defesa do Islã? Por que, então, o Mestre não poderia se utilizar de algumas inspirações da escala árabe e da teologia islâmica sem abrir mão de todos os recursos lógicos da música ocidental? O Villa Lobos fez isso, misturou temas do folclore tupiniquim com a sofisticada linguagem da música européia. Eu acharia a idéia, no mínimo, interessante. Imagina um imenso coro polifônico cantando para homenagear Allah? Eu adoraria, já o Sultão e os Ulemás dos Islã eu não sei.... rs. Mesmo o Conselho luterano da Igraja de St. Tomás, em Leipzig, teve diversos atritos com Bach e se negou diversas vezes a adotar Sua música pois ela, de acordo com os censores, se mostrava muito ousada esteticamente.
Para desespero dos puristas, o Bach com samba já existe. O flautista Altamiro transcreveu algumas peças bachianas para chorinho. Ficou bem interessante!
Beijos!!
Adorei!!!
ResponderExcluirVou procurar e ler este livro!
Prepare-se para me ajudar nas dúvidas que certamente serão muitas!!
Beijos!
O mais aterrorizador , no livro ''O Complô contra a América'' , de P.Roth, Charles Lindenberg , simpaticíssimo aos nazistas e condecorado por eles ,quase foi o candidato dos Republicanos e g teria ganhado as eleições de Roosevelt. Nada impossível, dado a enorme popularidade que o aviador, o primeiro a cruzar o Atlântico, tinha e ainda mais com o caso do filho raptado e morto.
ResponderExcluirLindenberg era antissemita e contra a entrada dos EUA na Guerra...
ResponderExcluir