
domingo, 23 de maio de 2010
From Big Field to Saint Paul

quinta-feira, 20 de maio de 2010
Música para as Noites de Insônia

Já comentei das Variações Goldberg em post anterior. Disse e repito: é a mais bela obra escrita para um instrumento de teclado. Não tem pra ninguém: nem pro Ludwig e suas sonatas, tampouco para os noturnos, polonaises e baladas de Fréd “Sugar” Chopin. Mas não será desta vez que vou explorar toda complexidade, organização, simetria e beleza desta obra. É uma tarefa que exige energia e tempo, incompatível para uma quarta-feira à noite. Para este post reservo apenas uma curiosidade que não será nenhuma boa nova para os bachianos iniciados.
Pois bem, quem diria que a música predileta do Canibal Lecter foi concebida para remediar os problemas de um insone? Conta-nos Forkel, o primeiro biógrafo de Bach, que o conde russo da Saxônia, Karl von Keyserling, sofria de uma incurável insônia. Em uma das suas idas a Leipzig, o conde resolve encontrar-se com Bach e lhe encomenda uma obra para tornar suas noites em claro menos tediosas. O Mestre aceita o pedido do conde e começa a se dedicar à composição de uma música para teclado (no caso, o cravo) na forma de variação, o que é, grosso modo, uma série de alterações sobre um mesmo tema. Nas artes plásticas, trabalhar com varias representações de um mesmo objeto é uma prática corriqueira.
O cravista da corte de Kyserling era um talentoso rapaz de 15 anos chamado Johann Gottlieb Goldberg. Seria esse menino o encarregado por executar a música que, com toda certeza, passou a tirar de vez o sono do Conde. Não foi à toa que a obra ficou conhecida como Variações Goldberg. Reza a biografia bachiana que o Mestre foi retribuído com um cálice de ouro. Sim, um cálice de ouro em troca da maior obra já escrita para um instrumento de teclado. Mas essas aberrações são constantes na história da arte... Não é verdade que as telas de Van Gogh eram solidariamente compradas por Theo, seu irmão, e depois escondidas?
Uma boa gravação da ária e das cinco primeiras variações. Pinnock é uma das grandes referências do repertório barroco.
Obs.: O ministério da saúde adverte: escutar essas variações pela noite pode causar insônia.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Galatea 3 x 0 Galatée

Reservei boa parte do fim de semana à audição de duas versões diferentes de Acis e Galatéia, uma das estórias da mitologia grega contada por Ovídio em Metamorfoses. A primeira foi a ópera de Jean-Baptiste Lully, Acis et Galetèe, composta em 1686. A escutei na gravação de Minkowski com o Les Musiciens Du Louvre. A segunda versão foi a mini-ópera de G. F. Handel, Acis and Galatea, de 1732. Esta escutei com o bachianíssimo John Eliot Gardiner.
O enredo é bem simples: Acis é um belo pastor e Galatéia uma bela ninfa. Os dois se enamoram qual aquele o poema de Ricardo Reis... Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio... O romance bucólico dura até o aparecimento de Polifemo, o monstrengo caolho que nutria um amor não correspondido por Galatéia e que descobre que o pastor e a ninfa estavam se pegando. Poliefemo, derretendo de ciúmes (como diz o libreto de Handel: I rage, I melt, I hate), prepara uma emboscada e esmaga Acis com uma rocha. Desesperada, Galatéia transforma o sangue de Acis no rio Acis. Fim de enredo.
No tocante à estrutura, a ópera do francês (chamemos assim o italiano que foi o mais bem-sucedido compositor do barroco francês. Afinal, o córsego Bonaparte também não foi o mais bem-sucedido revolucionário francês?), está organizada assim: um longo prólogo (12 movimentos), Ato 1 (13 cenas), Ato 2 (9 cenas) e Ato 3 (9 cenas). Já a ópera de Handel está dividida em apenas dois atos, com 22 movimentos ao todo. Handel tinha tudo para perder por WO.
Postas frente a frente, a versão de Lully, in my humble opnion, perde de goleada para a de Handel. Primeiramente porque Lully não foi tão exitoso quanto Handel em transferir para sua música o clima pastoril e descontraído que a estória de Ovídio exige. A música do francês não consegue se desvencilhar da pomposa e galante música de Versalhes. É música encastelada para fazer dançar os aduladores do Rei Sol. A versão de Handel, por sua vez, nos transporta para toda calmaria arcadiana. É música do campo pra fazer dançar o pastor e a ninfa. Encontrei alguns trechos das duas óperas no ‘Saint Youtube’.
Ouçamos agora a ária de Handel, "Hush, ye pretty warbling choir!", com as flautas doces salpicando os trinados e Galatéia, com voz de ninfeta virgem, clamando: “bring back my Acis to my sight”. Isso sim é música sertaneja! (gravação de outro bachiano puro-sangue, John Butt).
Outro aspecto que coloca Lully em desvantagem são os corais. Handel é meticuloso com a polifonia e os corais da ópera são agraciados por belíssimos contrapontos vocais. Aqui temos um exemplo de uma passagem em canon onde a frase wretched lovers (amantes desafortunados) é repetida consecutivamente em todos os registros vocais formando um coeso tecido polifônico. O coral termina com o “the monster polypheme”, e, no vídeo, com o próprio cíclope surgindo pra acabar com a raça do pastor enamorado (gravação de C. Hogwood. Um bom fone de ouvidos é fundamental.):
Pra terminar a enxovalhada, Handel ainda bate Lully nas caprichosas melodias das árias. Vejam se estou mentindo. Basta reparar no delicado desenho do oboé ao dialogar com o lamento de Galatéia. O coral ainda tenta consolá-la: “cease, Galetea, cease to grieve” (Pare, Galatéia, pare de se lamentar!).
Final de jogo: Handel 3 x Lully 0.
Obs. 1: Se alguém se interessar pelos discos, posso fazer upload deles em algum site de compartilhamento.
Obs. 2: Estou baixando Acis e Galatéia em um arranjo que Mozart fez para a ópera de Handel. Estou bem curioso para conhecer a versão 'clássica' dessa ópera goleadora.
domingo, 16 de maio de 2010
Salvando o Sábado...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Aquele colosso romano...
Posso dizer que entrei definitivamente para o mundo da música erudita após escutar Cecilia Bartoli. Aconteceu há, mais ou menos, 12 anos, em uma das vezes em que fui ao interior paulista, uma espécie de Beirute do Sertão, visitar um tio -- a quem, diga-se de passagem, devo quase tudo o que aprendi em matéria de música. Ao chegar a sua casa, o encontrei beliscando uns amendoins e escutando uma canção na qual uma mulher executava um ardiloso malabarismo vocal. Tive a impressão que a glote da cantora se contorcia como uma daquelas invertebradas ginastas chinesas, subindo e descendo escalas em uma velocidade meteórica. Não se tratava, contudo, de uma demonstração estéril de virtuosismo. Nas “canções” mais lentas (a palavra ária ainda não existia para mim), sua expressividade e técnica me comoveram de forma tão definitiva que passei a acreditar que todas as cantoras que havia escutado na música popular eram, na melhor das hipóteses, amadoras. Cantar profissionalmente seria cantar como aquela mulher.
Descobri, mais tarde, que aquela mulher era a grande mezzo-soprano Cecilia Bartoli e que o disco que me assombrara era a conhecida coletânea de árias compostas por Vivaldi. Desde então, minha fascinação pela Cecilia Bartoli só cresceu.
Assisti ontem um recente trabalho de Bartoli, a gravação de árias compostas especificamente para castrati. Vejam o que diz uma reportagem sobre o disco publicada pelo Estadão:
"Vamos aos fatos: ela grava, pela primeira vez, 11 árias de compositores italianos desconhecidos, do século 18, escritas para os castrati - cantores castrados ainda meninos, a fim de conservar o timbre angelical de suas vozes; atingindo a idade adulta, uniam duas características impossíveis de se encontrar nas mulheres: tessituras amplas e potência vocal inigualável. Eles dominaram a cena lírica e sacra europeia nos séculos 17 e 18, enquanto perdurou a proibição, pela Igreja Católica, de mulheres cantarem nos templos."
Cabe uma pequena retificação na passagem acima. A proibição não era exclusiva da Igreja Católica. Os cultos na Igreja luterana também proibiam a voz feminina nas músicas sacras. Essa gravação imperdível está disponível tanto em disco quanto em vídeo. Antes de disponibilizá-las, posto a ária que mais me surpreendeu nesse disco. Não conhecia nem o compositor e, tampouco, a ária. Fui me informar e descobri que o autor, Nicola Porpora, é um músico napolitano e dono de uma vasta obra operística. A belíssima ária abaixo é parte da ópera “Germanico in Germania” e aconselho a escutá-la com um bom e bem atarraxado fone de ouvido. Assim será possível apreciar todas as nuances, cores e timbre da voz desse colosso romano. O conjunto que a acompanha, só com instrumentos "de época", é o gabaritadíssimo Il Giardino Armonico.
Isn't it brillant?
Aos interessados em escutar o disco todo (extraído do blog do PQPBACH):
http://rapidshare.com/files/325905542/PQP_ula_ula.rar
Aqueles que quiserem ver a produção em filme (vale a pena!), segue os dois links:
http://rapidshare.com/files/323830336/Cecilia_Bartoli_-_Castratas_-_arte2009.part1.rar
http://rapidshare.com/files/323835382/Cecilia_Bartoli_-_Castratas_-_arte2009.part2.rar
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Lamúrio à tcheca
O vídeo que posto é a gravação monumental de Rostropovich. Se este bom velhinho escorregou na gravação das suites para cello do Bach, no repertório romântico ele está completamente em casa. Deita, rola e leva a expressividade à sua extremidade lógica.
A. Dvorák: Concerto pra Cello em Bm, Segundo Movimento: Adagio Ma Non Tropo:
(Sugiro um bom fone de ouvido para escutar o vídeo abaixo)
Quem quiser escutar todo o concerto, pode baixar o disco todo clicando aqui.
(A cellista do disco é a Jacqueline Dupré e o regente, seu então marido, Daniel Baremboim - Extraído do blog PQP Bach).
domingo, 2 de maio de 2010
Bach, Anna e o início do affair
À parte a bela e virtuosa ária da cantata BWV 30, o vídeo que posto abaixo só valerá a pena ser assistido se os minguados leitores deste blog conhecerem um pouco da biografia de Bach. Sendo assim, farei uma breve contextualização.
Durante sua vida, o Mestre teve duas mulheres. A primeira, sua prima Maria Bárbara, morreu deixando João Sebastião viúvo por 17 anos. Na Saxônia, conheceu Anna Magdalena, com quem teve a singela quantia de 13 filhos e um casamento muito feliz. É justamente a segunda esposa do Mestre a principal protagonista desta postagem. Relatam os biógrafos que Anna Magdalena era copista e ganhava alguns xelins cantando. Lembremos que no início do século XVIII não existia o milagroso Xerox e, embora Gutemberg já tivesse inventado a moderna forma de imprimir livros, a tecnologia editorial ainda era rudimentar, cabendo, portanto, aos copistas a exaustiva tarefa de transcrever e copiar cada compasso das partituras.
O vídeo mostra Anna Magdalena transcrevendo, com muito esforço e à luz de vela, uma das trocentas partituras de Bach. Ela é, então, abordada por um garoto que lhe mostra a goela infeccionada, alegando estar com dores de garganta. Condoída, observa rapidamente o gogó da pequena criatura e retorna para suas partituras sem perceber que ele estava lhe aplicando uma indireta. Não contente, o garoto ainda força umas tosses artificiais e amarelas para se fazer claro, mas sem qualquer êxito. Então o mini-chucrute decide ir direto ao ponto: “Anna, canta pra mim no solo do ensaio de hoje, por favor!”. Não seria nenhuma aventura atender ao pedido do garoto se as igrejas luteranas aceitassem mulheres no coro. Mas não era o caso. As vozes com registros mais agudos eram cantadas por meninos e, em alguns casos, jovens castrados (castratis). Um parêntese: em pleno século XX, para manter a integridade estética do barroco, maestros mais xiitas, como o Harnonkourt, gravaram Bach apenas com coral masculino.
O garoto e a futura mulher de Bach combinaram, então, que o primeiro ficaria na frente fingindo que está cantando enquanto Anna, escondida atrás dele, executaria o tortuoso solo da cantata. Acredito que, com essas considerações, o resto do vídeo fica compreensível. Faço apenas mais um adendo: a atriz do filme, diferente do garoto, não apenas representa que canta bem. Trata-se de Magdalena Kozenà, a mezzo-soprano tcheca que tem gravado Handel, Bach e Mozart como ninguém. Enjoy!
sábado, 1 de maio de 2010
O lobo assobia a música do cordeiro
De todas as obras já produzidas para instrumentos de teclado, em todos os tempos e em todos os lugares, as Variações Goldberg é a mais perfeita, profunda e complexa. That’s just my two cents. A fixação que tenho por essa música é tamanha que me levou a adquirir dezenove diferentes gravações dela: da arcaica versão em cravo industrial realizada pela Landowska às recentes leituras para piano da Angela Hewitt; do olhar "de época" de Hantai às interpretações romantizadas de Gavrilov; da revolucionária gravação de Glenn Gould à heterodoxa do jazzista Keith Jarrett.
Quem assistiu ao filme “Silêncio dos Inocentes” identificará ao menos a ária inicial das Variações Goldberg. Sim, aquele enigmático canibal, de astúcia diabólica e sorriso maligno, escutava a serena ária das Variações quando não estava devorando um fêmur aqui ou acolá. Não é só isso, o maligno, frio e racional Dr. Lecter apreciava a contemplativa gravação de Glenn Gould (1981) enquanto desenhava Clarice, a oficial da polícia que estava a sua espreita, segurando com ternura um cordeiro em seus braços.
Não acredito que essas associações sejam meras coincidências e que foram colocadas na cena aleatoriamente. Agnus Dei, o cordeiro de Deus, é parte da simbologia corrente na tradição cristã para se referir a Jesus Cristo. A obra bachiana é, por sua vez, a expressão mais pura e acabada do louvor a Deus através da linguagem musical. Um belzebu que escuta as Variações Goldberg não pode ser outra coisa senão a tentativa de tornar ambígua a figura do capeta, de não transformar o diabo em um personagem linear e previsível. Nunca saberemos se o Mestre, do fundo de sua tumba em Leipzig, aprovou o uso de sua ária para dar requinte à figura do mal. Eu ainda volto pra falar mais sobre essa grande catedral bachiana.
O lendário e excêntrico Glenn Gould na sua gravação de 1981:
Adoração do Cordeiro Místico, de Van Eyck. (divida ela ao meio para notar o quanto esses renascentistas gostavam de simetria).
Ilustração do grande gravurista Gustave Doré para uma edição do livro "O Paraíso Perdido" de John Milton.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Al Jazeera: BRIC e a Nova Ordem Internacional
História Virtual
quarta-feira, 28 de abril de 2010
A milagrosa mão de Handel

Correto. Portanto, é líquido e certo que o sacrifício é uma prática absolutamente reprovada no Antigo Testamento? Não é bem assim. O livro bíblico Juízes (11:30-40) nos conta a curiosa história de Jefta, um combatente e líder israelia na guerra contra os amonitas. Jefta promete “entregar a Deus” a primeira pessoa que estivesse saindo de sua casa se retornasse da guerra vencedor. E Israel triunfa sobre Amon. Jefta, ao voltar para casa, se depara com Iphis, sua única filha. Com muito remorso e tristeza, Jefta decide sacrificá-la, cumprindo seu voto com Deus. Sua filha faz o último pedido – vagar dois meses pelas montanhas para lamentar sua virgindade – e Jefta, em gesto de humilde resignação, assassina sua filha. Alguns rabinos ainda tentam salvar as Escrituras alegando algum problema de tradução ou minúcias semânticas na exegese dos textos sagrados. Mas a questão permanece: por que Deus não interveio para salvar Iphis? Onde estava a mesma mão angelical que evitou o sacrifício de Isaac?
Mas se não houve nos relatos bíblicos nenhuma mãozinha para salvar a pobre jugular de Iphis, pelo menos a mão de George Frederich Handel foi hábil e solidária o suficiente para livrar a filha de Jefta do fio da navalha. Já no final da vida e acometido por uma cegueira, Handel compôs seu último oratório, denominado Jefta. Nele, o compositor barroco decidiu intervir na história bíblica de maneira a evitar que Jefta matasse sua filha. Qual foi a solução encontrada? Quando já estava decidido a realizar o sacrifício, o pai é contido por um anjo que o aconselha apenas a obrigá-la a passar o resto da vida virgem. A mão de Handel foi imprescindível para não chocar o público setecentista que já estava habituado com a atmosfera menos “hardcore” do novo testamento. É, alguns poderiam dizer que não há pior sacrifício que passar toda uma vida virgem. Se for assim, maldita foi a mão de Handel.
Um dos momentos mais tocantes do oratório é a ária em que Jefta, antes de ser contido pela mão de Handel, faz um apelo para que os anjos levem sua filha através do profundo azul do firmamento para os braços do Senhor. Na minha tradução o nome da ária seria “Anjos, soprem-na através do céu”.
Waft her, angels, through the skies,
Far above yon azure plain,
Glorious there, like you, to rise,
There, like you, for ever reign.
Waft her...
É uma das mais inspiradas árias de Handel. Música para ser ouvida de joelhos e com um bommm fone de ouvido. Quem assim o fizer, notará que Handel não faz milagres apenas quando salva pescoços de virgens israelistas...
(http://www.youtube.com/watch?v=v9rw3RLv9AY - Com o maior contratenor ever, Adreas Scholl).
sábado, 24 de abril de 2010
What if...?

Basta sapecar um condicional “se” e verás toda uma legião de historiadores fazendo beicinho. Terás beicinhos em escala industrial. Por exemplo: E “se” os persas derrotassem os gregos na célebre batalha de Salamina? Ora, não haveria democracia, nem filosofia e, conseqüentemente, a civilização ocidental não teria existido. Simples assim. Mas não pretendo entrar no interminável debate sobre “o se na História”.
Estava, dia desses, lendo sobre a batalha de Viena de 1683. Por duas vezes na história o Império Turco-Otomano sitiou Viena. Após avançar sobre todo o Bálcãs, em 1529, as tropas de Solimão cercaram Viena e, depois de sucessivas derrotas, o exército otomano decidiu recuar. O segundo cerco ocorreu em 1683, durando dois meses. No entanto, uma aliança das forças polaco-austro-alemãs lideradas pelo Rei da Polônia Jan III Sobieski derrotou, por muito pouco, o exército do Grão-vizir Mustafa Pasha.
Pensei comigo mesmo: João Sebastião nasceu três anos após a vitória “aliada” sobre os otomanos, logo ali, cerquita, nas florestas geladas da Turingia germânica. “E se” (beicinhos dos historiadores!) o Grão-vizir Mustafa Pasha vencesse a batalha de Viena? Varias são hipóteses:
Bach comporia uma fuga a quatro vozes denominada “Allah, o Generosíssimo”;
Ao invés da Missa em Bm, ele escreveria o oratório “O Profeta”, para ser cantado nas mesquitas em toda a Alemanha.
Trocaria o órgão pelo mouríssimo alaúde;
Ao invés de “O cravo bem temperado” ele comporia “A kafta bem temperada”
Ao invés de Mestre de Capela em Leipzig, ele animaria a corte do Sultão em Istambul compondo temas populares como “Variações para Fatima”e “A Fuga de Salim”;
Ao invés da Paixão Segundo São Mateus, ele escreveria a “Jihad segundo o Alcorão”;
Comporia “Mohamad alegria dos fiéis”ao invés de “Jesus alegria dos Homens”;
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Breve história "freudiana" da humanidade

quarta-feira, 21 de abril de 2010
Anatomia da Al-Qaeda

Dentre o vasto repertório de vulgaridades que corre a torto e a direito na mídia, em discursos políticos e até no meio acadêmico, a Al Qaeda tem sido um dos alvos mais constantes de simplificações grosserias. O que se escuta geralmente é o batido trololó de que a organização terrorista foi fundada há mais ou menos uma década por um fanático religioso saudita extremamente rico; que ela se transformou em uma poderosa rede composta por milhares de homens treinados e motivados que se encontram à espreita em todas as cidades do mundo, prontos para obedecer às ordens de seu líder, Osama Bin Laden, promovendo assassinatos em massa em defesa de sua causa. Outro ‘sambinha de uma nota só’ que encontramos em qualquer arrazoado sobre terrorismo é de que o 11 de setembro foi causado por algum tipo de choque entre a civilização islâmica e a judaico-cristã.
O mérito do livro de Jason Burke, Al Quaeda, nasce justamente de seu esforço em desmontar esse repertório interminável de simplificações. Burke é correspondente do The Guardian e, junto com seu compatriota Robert Fisk (The Independent), dono das matérias e publicações mais sérias e sensatas sobre Oriente Médio. Como jornalista, Jason Burke teve a oportunidade de conhecer in loco a complexidade do Afeganistão antes e depois do 11 de setembro.
Vou tentar, na medida do possível, trazer para este espaço os principais argumentos de Burke em seu livro Al Aqueda.
Em um primeiro momento, o jornalista britânico discute o desenvolvimento da organização terrorista de 1996 a 2001. Burke estabelece uma interessante analogia para ilustrar como se dava a relação entre Bin Laden e os diversos grupos terroristas espalhados por todo o mundo:
Tal como no período da Guerra Fria, esse era um processo de mão dupla, mutuamente benéfico. Os grupos locais tinham raízes em toda uma variedade de fatores, que por vezes remontavam a décadas ou até mais, porém, por uma série de razões a curto prazo, estavam ávidos por se aliarem a uma potência maior. [30,31]
Trocando em miúdos, Burke compara a relação entre os EUA e a URSS com seus aliados à relação do núcleo da Al-qaeda com outros grupos de militância islâmica. Como uma das superpotências da guerra fria, Bin Laden oferece a seus aliados dinheiro, treinamento, armas, abrigo seguro e apoio logístico. A idéia da Al-qaeda como uma entidade agenciadora do terrorismo -- principal tese do livro -- começa nessa analogia inicial e termina na consistente desmistificação da idéia de "terrorismo internacional".
Caiu a Ficha! Aleluia!
"The theme of that chorale, which appears for the first time in the middle of the final movement and returns in the great heaven-storming coda, would appear to echo the phrase "And He shall reign for ever and ever" in the Hallelujah Chorus of Handel's Messiah."
Taí o Aleluia de Handel:
O quarto movimento (I) (Alta Volstagem!):
O quarto movimento (II):
P.S.: Neste sábado estarei na Sala São Paulo apreciando a OSESP executar essa sinfonia. Uma bela maneira de matar a saudade da Paulicéia Desvairada e, claro, da patroa.