
Dentre o vasto repertório de vulgaridades que corre a torto e a direito na mídia, em discursos políticos e até no meio acadêmico, a Al Qaeda tem sido um dos alvos mais constantes de simplificações grosserias. O que se escuta geralmente é o batido trololó de que a organização terrorista foi fundada há mais ou menos uma década por um fanático religioso saudita extremamente rico; que ela se transformou em uma poderosa rede composta por milhares de homens treinados e motivados que se encontram à espreita em todas as cidades do mundo, prontos para obedecer às ordens de seu líder, Osama Bin Laden, promovendo assassinatos em massa em defesa de sua causa. Outro ‘sambinha de uma nota só’ que encontramos em qualquer arrazoado sobre terrorismo é de que o 11 de setembro foi causado por algum tipo de choque entre a civilização islâmica e a judaico-cristã.
O mérito do livro de Jason Burke, Al Quaeda, nasce justamente de seu esforço em desmontar esse repertório interminável de simplificações. Burke é correspondente do The Guardian e, junto com seu compatriota Robert Fisk (The Independent), dono das matérias e publicações mais sérias e sensatas sobre Oriente Médio. Como jornalista, Jason Burke teve a oportunidade de conhecer in loco a complexidade do Afeganistão antes e depois do 11 de setembro.
Vou tentar, na medida do possível, trazer para este espaço os principais argumentos de Burke em seu livro Al Aqueda.
Em um primeiro momento, o jornalista britânico discute o desenvolvimento da organização terrorista de 1996 a 2001. Burke estabelece uma interessante analogia para ilustrar como se dava a relação entre Bin Laden e os diversos grupos terroristas espalhados por todo o mundo:
Tal como no período da Guerra Fria, esse era um processo de mão dupla, mutuamente benéfico. Os grupos locais tinham raízes em toda uma variedade de fatores, que por vezes remontavam a décadas ou até mais, porém, por uma série de razões a curto prazo, estavam ávidos por se aliarem a uma potência maior. [30,31]
Trocando em miúdos, Burke compara a relação entre os EUA e a URSS com seus aliados à relação do núcleo da Al-qaeda com outros grupos de militância islâmica. Como uma das superpotências da guerra fria, Bin Laden oferece a seus aliados dinheiro, treinamento, armas, abrigo seguro e apoio logístico. A idéia da Al-qaeda como uma entidade agenciadora do terrorismo -- principal tese do livro -- começa nessa analogia inicial e termina na consistente desmistificação da idéia de "terrorismo internacional".
Como se nao bastasse tudo que tenho que ler para a minha tese e outra poesqisa, agora vc me 'coagiu' a ler isso. Valeu, coassaco! haha
ResponderExcluirMas bem que foi bom ler "o outro lado" da história...
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