quinta-feira, 29 de abril de 2010
Al Jazeera: BRIC e a Nova Ordem Internacional
História Virtual
quarta-feira, 28 de abril de 2010
A milagrosa mão de Handel

Correto. Portanto, é líquido e certo que o sacrifício é uma prática absolutamente reprovada no Antigo Testamento? Não é bem assim. O livro bíblico Juízes (11:30-40) nos conta a curiosa história de Jefta, um combatente e líder israelia na guerra contra os amonitas. Jefta promete “entregar a Deus” a primeira pessoa que estivesse saindo de sua casa se retornasse da guerra vencedor. E Israel triunfa sobre Amon. Jefta, ao voltar para casa, se depara com Iphis, sua única filha. Com muito remorso e tristeza, Jefta decide sacrificá-la, cumprindo seu voto com Deus. Sua filha faz o último pedido – vagar dois meses pelas montanhas para lamentar sua virgindade – e Jefta, em gesto de humilde resignação, assassina sua filha. Alguns rabinos ainda tentam salvar as Escrituras alegando algum problema de tradução ou minúcias semânticas na exegese dos textos sagrados. Mas a questão permanece: por que Deus não interveio para salvar Iphis? Onde estava a mesma mão angelical que evitou o sacrifício de Isaac?
Mas se não houve nos relatos bíblicos nenhuma mãozinha para salvar a pobre jugular de Iphis, pelo menos a mão de George Frederich Handel foi hábil e solidária o suficiente para livrar a filha de Jefta do fio da navalha. Já no final da vida e acometido por uma cegueira, Handel compôs seu último oratório, denominado Jefta. Nele, o compositor barroco decidiu intervir na história bíblica de maneira a evitar que Jefta matasse sua filha. Qual foi a solução encontrada? Quando já estava decidido a realizar o sacrifício, o pai é contido por um anjo que o aconselha apenas a obrigá-la a passar o resto da vida virgem. A mão de Handel foi imprescindível para não chocar o público setecentista que já estava habituado com a atmosfera menos “hardcore” do novo testamento. É, alguns poderiam dizer que não há pior sacrifício que passar toda uma vida virgem. Se for assim, maldita foi a mão de Handel.
Um dos momentos mais tocantes do oratório é a ária em que Jefta, antes de ser contido pela mão de Handel, faz um apelo para que os anjos levem sua filha através do profundo azul do firmamento para os braços do Senhor. Na minha tradução o nome da ária seria “Anjos, soprem-na através do céu”.
Waft her, angels, through the skies,
Far above yon azure plain,
Glorious there, like you, to rise,
There, like you, for ever reign.
Waft her...
É uma das mais inspiradas árias de Handel. Música para ser ouvida de joelhos e com um bommm fone de ouvido. Quem assim o fizer, notará que Handel não faz milagres apenas quando salva pescoços de virgens israelistas...
(http://www.youtube.com/watch?v=v9rw3RLv9AY - Com o maior contratenor ever, Adreas Scholl).
sábado, 24 de abril de 2010
What if...?

Basta sapecar um condicional “se” e verás toda uma legião de historiadores fazendo beicinho. Terás beicinhos em escala industrial. Por exemplo: E “se” os persas derrotassem os gregos na célebre batalha de Salamina? Ora, não haveria democracia, nem filosofia e, conseqüentemente, a civilização ocidental não teria existido. Simples assim. Mas não pretendo entrar no interminável debate sobre “o se na História”.
Estava, dia desses, lendo sobre a batalha de Viena de 1683. Por duas vezes na história o Império Turco-Otomano sitiou Viena. Após avançar sobre todo o Bálcãs, em 1529, as tropas de Solimão cercaram Viena e, depois de sucessivas derrotas, o exército otomano decidiu recuar. O segundo cerco ocorreu em 1683, durando dois meses. No entanto, uma aliança das forças polaco-austro-alemãs lideradas pelo Rei da Polônia Jan III Sobieski derrotou, por muito pouco, o exército do Grão-vizir Mustafa Pasha.
Pensei comigo mesmo: João Sebastião nasceu três anos após a vitória “aliada” sobre os otomanos, logo ali, cerquita, nas florestas geladas da Turingia germânica. “E se” (beicinhos dos historiadores!) o Grão-vizir Mustafa Pasha vencesse a batalha de Viena? Varias são hipóteses:
Bach comporia uma fuga a quatro vozes denominada “Allah, o Generosíssimo”;
Ao invés da Missa em Bm, ele escreveria o oratório “O Profeta”, para ser cantado nas mesquitas em toda a Alemanha.
Trocaria o órgão pelo mouríssimo alaúde;
Ao invés de “O cravo bem temperado” ele comporia “A kafta bem temperada”
Ao invés de Mestre de Capela em Leipzig, ele animaria a corte do Sultão em Istambul compondo temas populares como “Variações para Fatima”e “A Fuga de Salim”;
Ao invés da Paixão Segundo São Mateus, ele escreveria a “Jihad segundo o Alcorão”;
Comporia “Mohamad alegria dos fiéis”ao invés de “Jesus alegria dos Homens”;
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Breve história "freudiana" da humanidade

quarta-feira, 21 de abril de 2010
Anatomia da Al-Qaeda

Dentre o vasto repertório de vulgaridades que corre a torto e a direito na mídia, em discursos políticos e até no meio acadêmico, a Al Qaeda tem sido um dos alvos mais constantes de simplificações grosserias. O que se escuta geralmente é o batido trololó de que a organização terrorista foi fundada há mais ou menos uma década por um fanático religioso saudita extremamente rico; que ela se transformou em uma poderosa rede composta por milhares de homens treinados e motivados que se encontram à espreita em todas as cidades do mundo, prontos para obedecer às ordens de seu líder, Osama Bin Laden, promovendo assassinatos em massa em defesa de sua causa. Outro ‘sambinha de uma nota só’ que encontramos em qualquer arrazoado sobre terrorismo é de que o 11 de setembro foi causado por algum tipo de choque entre a civilização islâmica e a judaico-cristã.
O mérito do livro de Jason Burke, Al Quaeda, nasce justamente de seu esforço em desmontar esse repertório interminável de simplificações. Burke é correspondente do The Guardian e, junto com seu compatriota Robert Fisk (The Independent), dono das matérias e publicações mais sérias e sensatas sobre Oriente Médio. Como jornalista, Jason Burke teve a oportunidade de conhecer in loco a complexidade do Afeganistão antes e depois do 11 de setembro.
Vou tentar, na medida do possível, trazer para este espaço os principais argumentos de Burke em seu livro Al Aqueda.
Em um primeiro momento, o jornalista britânico discute o desenvolvimento da organização terrorista de 1996 a 2001. Burke estabelece uma interessante analogia para ilustrar como se dava a relação entre Bin Laden e os diversos grupos terroristas espalhados por todo o mundo:
Tal como no período da Guerra Fria, esse era um processo de mão dupla, mutuamente benéfico. Os grupos locais tinham raízes em toda uma variedade de fatores, que por vezes remontavam a décadas ou até mais, porém, por uma série de razões a curto prazo, estavam ávidos por se aliarem a uma potência maior. [30,31]
Trocando em miúdos, Burke compara a relação entre os EUA e a URSS com seus aliados à relação do núcleo da Al-qaeda com outros grupos de militância islâmica. Como uma das superpotências da guerra fria, Bin Laden oferece a seus aliados dinheiro, treinamento, armas, abrigo seguro e apoio logístico. A idéia da Al-qaeda como uma entidade agenciadora do terrorismo -- principal tese do livro -- começa nessa analogia inicial e termina na consistente desmistificação da idéia de "terrorismo internacional".
Caiu a Ficha! Aleluia!
"The theme of that chorale, which appears for the first time in the middle of the final movement and returns in the great heaven-storming coda, would appear to echo the phrase "And He shall reign for ever and ever" in the Hallelujah Chorus of Handel's Messiah."
Taí o Aleluia de Handel:
O quarto movimento (I) (Alta Volstagem!):
O quarto movimento (II):
P.S.: Neste sábado estarei na Sala São Paulo apreciando a OSESP executar essa sinfonia. Uma bela maneira de matar a saudade da Paulicéia Desvairada e, claro, da patroa.