
Já comentei das Variações Goldberg em post anterior. Disse e repito: é a mais bela obra escrita para um instrumento de teclado. Não tem pra ninguém: nem pro Ludwig e suas sonatas, tampouco para os noturnos, polonaises e baladas de Fréd “Sugar” Chopin. Mas não será desta vez que vou explorar toda complexidade, organização, simetria e beleza desta obra. É uma tarefa que exige energia e tempo, incompatível para uma quarta-feira à noite. Para este post reservo apenas uma curiosidade que não será nenhuma boa nova para os bachianos iniciados.
Pois bem, quem diria que a música predileta do Canibal Lecter foi concebida para remediar os problemas de um insone? Conta-nos Forkel, o primeiro biógrafo de Bach, que o conde russo da Saxônia, Karl von Keyserling, sofria de uma incurável insônia. Em uma das suas idas a Leipzig, o conde resolve encontrar-se com Bach e lhe encomenda uma obra para tornar suas noites em claro menos tediosas. O Mestre aceita o pedido do conde e começa a se dedicar à composição de uma música para teclado (no caso, o cravo) na forma de variação, o que é, grosso modo, uma série de alterações sobre um mesmo tema. Nas artes plásticas, trabalhar com varias representações de um mesmo objeto é uma prática corriqueira.
O cravista da corte de Kyserling era um talentoso rapaz de 15 anos chamado Johann Gottlieb Goldberg. Seria esse menino o encarregado por executar a música que, com toda certeza, passou a tirar de vez o sono do Conde. Não foi à toa que a obra ficou conhecida como Variações Goldberg. Reza a biografia bachiana que o Mestre foi retribuído com um cálice de ouro. Sim, um cálice de ouro em troca da maior obra já escrita para um instrumento de teclado. Mas essas aberrações são constantes na história da arte... Não é verdade que as telas de Van Gogh eram solidariamente compradas por Theo, seu irmão, e depois escondidas?
Uma boa gravação da ária e das cinco primeiras variações. Pinnock é uma das grandes referências do repertório barroco.
Obs.: O ministério da saúde adverte: escutar essas variações pela noite pode causar insônia.
Essa gravação do Pinnock sem dúvida é minha predileta! a do Leonhardt também é excepcional. Uma cravista, Celine Fisch, lançou recentemente uma ótima versão também.
ResponderExcluirParabéns novamente pelo blog.
Outra coincidência assombrosa, há uma semana recebi a gravação de Celine Frisch em um cd duplo com gravações ao Orgão de Otto Winter.
ResponderExcluirCeline foi aluna do grande Andrea Staier, que é também um grande ''fortepianista'' e tem apenas 36 anos.
Celine hoje faz parte de um dos melhores Ensemble, Café Zimmermann, criado em 1998 com Pablo Valetti (ex Savall).
Em tempo,quem não conhece o Enseble Café Zimmermann, deveria fazê-lo imediatamente, eles estão já no 4°cd de gravações da música de câmara do Mestre, JS BACH.
ResponderExcluirDe que modo eu os conheci ?
Através de um tal de André Gomes, de BH, Flautista Barroco, cruzeirense de cabeça quente hoje, devido ao meu SPFC .
André sabe tudo de música, é um dos meus professores, lá na EAB.
E claro, eu não poderia deixar de citar nunca a gravação ao cravo que é a minha preferida, a do mago Scott Ross , morto precocemente de retrovirose em 1989.
ResponderExcluirPô, David. Não era só um cálice de ouro. Era um cálice com cem "luíses" de ouro... Em dinheiro atual, mais de 600 mil dólares.
ResponderExcluirHahahaha! Obrigado, Luciano, pela correção. Tá certo que ainda está aquem do valor da obra. Mas melhorou bastante!
ResponderExcluirA gravação de Scott Ross também é a minha predileta. Ainda postarei o Ross. É a gravação que nunca sai do meu Ipod.
Obrigado, André. Sua presença por aqui abrilhanta o blog. Abraços!
ResponderExcluirERRAMOS: ''Outra coincidência assombrosa, há uma semana recebi a gravação de Celine Frisch em um cd duplo com gravações ao Orgão de Otto Winter.''
ResponderExcluirNão,não era Celine Frisch, mas sim a cravista suiça Christiane Jaccottet, aluna de Leonhardt.
Lá na EAB falo sobre o novo cd de Celine , sobre as obras dos compositores que influenciaram o jovem Bach.
E ao piano fico entre a ''candura'' de Rosalyn Tureck e a ''idiossincrasia'' de Gould , mais ainda a primeira de 55, aquela pauleira...rsrs...
ResponderExcluirO ministério da saúde também adverte que esta insônia é salutar!
ResponderExcluirP.S. Não deu prá encaixar um programa musical na pauta do curso??
Beijos e bem vindo a Big city!